sábado, 8 de novembro de 2014

Análise de Mecanismos de embreagem e debreagem



Texto para análise: Transcrição de trecho do programa humorístico “Sai de baixo” (Tv Globo).
Participação na cena dos atores Miguel Falabella (personagem Caco) e Aracy Balabanian (Cassandra). 




Trecho do vídeo analisado: de 0:20 a 2:15

 

Análise – Comercial Folha de S. Paulo pela Análise Crítica do Discurso





O corpus selecionado para ser analisado de acordo com a Análise Crítica do Discurso, desenvolvida por Fairclough e tal como é apresentada por J. L. Meurer, é um comercial do jornal Folha de São Paulo que foi divulgado em 1988 em emissoras de televisão. Trata-se de um video de 1 minuto, que começa com uma locução (transcrita abaixo) e uma imagem formada por pequenos pontos escuros. Inicialmente não é possível identificar o que representa a imagem, apenas os pontos escuros. A medida que o comercial avança, a imagem vai sendo revelada e é possível ver que se trata da imagem de Adolf Hitler.

Transcrição da locução do vídeo

            Este homem pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de seis milhões para novecentas mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar. Aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de marcos. E reduziu uma hiper inflação para no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava seguir a carreira artística. (momento em que a imagem é revelada).É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade, por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação e o jornal que você recebe. Folha de S. Paulo, o jornal que mais se compra e o que nunca se vende.
            A presente análise será subdividida de acordo com as três dimensões de análise propostas por Fairclough: o evento discursivo analisado como texto, como prática discursiva e como prática social.

Evento discursivo como texto.

            Dentro dos três tipos de significados realizados pela linguagem, temos neste tópico os significados ideacionais, os significados interpessoais e os significados textuais.           

Significados ideacionais

            A representação da “realidade” pelo texto se dá em três fases diferentes. A primeira fase, onde a identidade de Hilter não é ainda revelada,  é constituída por uma realidade onde “alguém” é identificado como um bom governante e uma pessoa de boa índole. “Algúem” é tido como um participante que beneficia (visto o carácter semântico dos verbos) outros participantes (nação destruída, economia, orgulho, desemprego, produto interno bruto, renda per capta, lucros, etc). Logo, neste trecho, “alguém”  faz coisas de caráter positivo. Vejamos o trecho que representa essa primeira fase:

            Este homem pegou uma nação destruída, recuperou sua economia e devolveu orgulho ao seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de seis milhões para novecentas mil pessoas. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capita dobrar. Aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de marcos. E reduziu uma hiper inflação para no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava seguir a carreira artística.

            Em uma segunda fase, o texto imagético que se faz presente revela, então, que o “alguém” se tratava de Adolf Hitler. Com tal revelação, toda a “realidade” anteriormente representada é desfeita, ainda que se tratassem apenas de fatos verídicos. A realidade contida nesta segunda fase diz respeito a usar fatos verdadeiros para criar uma mentira, além de dizer que o leitor deve estar a atento a tal fato na hora de comprar um jornal. Vejamos o trecho:
            É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade, por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação e o jornal que você recebe.
             E por fim, temos o última fase:
            Folha de S. Paulo, o jornal que mais se compra e o que nunca se vende.
            Aqui temos o texto representando a “realidade” de que o jornal Folha de S. Paulo não se vende (no sentido de beneficiar algo ou alguém em troca de outro benefício) e é o que mais se vende (no sentido de ser o jornal mais comprado pelos leitores).

Significados interpessoais

            Temos, na primeira fase, como foi dividido o texto no tópico anterior, a criação de uma identidade, a de Hitler como um “bom homem”.
            Temos na segunda fase, afirmações que expressam uma relação interpessoal de verdade e de “verdade absoluta”, há assim uma relação com o leitor, especialmente ao se afirmar por isso é preciso tomar muito cuidado com a informação e o jornal que você recebe”, devido à presença explícita do pronome “você”. Faz-se uma aparente troca de informações, visando a oferta de um produto.

Significados textuais

            O texto se incia com o pronome “este” (este homem) que remete a alguém que só se fará presente mais adiante, no decorrer do video. Sabendo que o texto começa falando sobre Hitler, ele será, a priori, o possível tema do texto. Contudo, o tema real e mais importante será trazido mais a frente: a “seriedade” da Folha de S. Paulo.

Evento discursivo como prática discursiva.

            O texto, ainda que no vídeo esteja oralizado, é feito pela Folha de S. Paulo (na realidade, por uma agência publicitária, porém, a pedido e benefício da Folha) para possíveis já/futuros leitores/consumidores. Sua coerência, contudo, pode não ser concretizada se o leitor não tiver certos conhecimentos, como por exemplo que o homem representado na imagem é Hitler ou então quem foi Hitler. Logo, faz-se um interxtualidade com a História, com textos que respondem quem foi Hitler.
            No que se refere à força ilocionária, temos uma intenção de promover o jornal Folha de S. Paulo, para tal, toma-se o “bom Hitler”  como ilustração, para se dizer que a Folha não cria mentiras usando verdades. O leitor por sua vez, fará a conexão entre a descrição que se faz  do “bom Hitler” com todo seu conhecimento de quem foi Adolf Hitler, além do conhecimento de que há jornais que se vendem (promovem algo/alguém para ter algo em troca), porém de que a Folha, como é afirmado no texto, não o faz.

Evento discursivo como prática social.

            Encontramos no comercial uma ideologia contra-Hitler e uma ideologia publicitária, já que há visão de lucro e venda do jornal Folha. A ideologia acerca de Hitler é trazida ao texto para exemplificar/ilustrar uma situação. Pode-se dizer que, de modo implícito, a Folha impõe seu poder fazendo-se perceber que outros jornais “mentem” e  manipulam os leitores. Tal fato, tal realidade é apenas a percepção do leitor, não se trata da verdade absoluta. Cria-se e faz parecer natural um consenso de que o leitor deve evitar ser manipulado pelos jornais, e evitar ser leitor de jornais que tem outros interesses além do de dar a informação/notícia verdadeira. Há então uma contradição em tal hegemonia apresentada (da necessidade de evitar manipulação), ou melhor, do modo como ela é apresentada: o leitor “deve” evitar a manipulação, justamente porque o comercial publicitário da Folha o incita a fazê-lo, logo o manipula.

Exemplo de transcrição de áudio/vídeo


Transcrição – vídeo “BBB9 Ana e Josy vão votar em Max Porto big brotherbrasil 9”


Fatores de coerência na propaganda da marca 'Bombril'



Fatores de coerência na propaganda da marca 'Bombril'


            
                  A propaganda da marca Bom Bril divulgada na época das eleições presidenciais de 2010  ativa em seu receptor um modelo congnitivo, assim como o chama Ingedore G. V. Koch, do tipo frame, que trás todo um conhecimento de mundo armazenado sob um "rótulo" que chamaríamos de "eleições presidenciais 2010", onde, não pelos elementos linguísticos, mas pela imagem contida na propaganda, há presença de elementos que remetem a tal "rótulo". Esse conhecimento, porém, não estaria presente em qualquer receptor, já que é partilhado entre o produtor do texto e um número limitado de receptores (mais precisamente aos que estavam a par do contexto - abrangendo a situação sócio-política da época de divulgação da propaganda - das eleições presidenciais do Brasil de 2010, bem como dos candidatos participantes).
            No que se refere aos elementos linguísticos, encontramos intertextualidades de conteúdo implícitas, bem como intertextualidade de forma: a primeira em "1001% dos brasileiros preferem Bom Bril", uma vez que o número dado na porcentagem  remete ao lema da marca (Bom Bril tem 1001 utilidades) já divulgado em outras propagandas anteriores, a segunda é encontrada ao fazer repetição do estilo de um tipo de discurso específico: campanhas eleitorais que divulgam intenções de voto a um candidato (pesquisas apontam) e propagandas de candidados propriamente ditas (Para um Brasil mais limpinho, vote Bom Bril). O número da porcentagem também pode ser considerado uma informação não previsível/não esperada, já que o óbvio levaria ao número 100(%).
            Os elementos linguísticos e as imagens levam o receptor a inferir que há unanimidade na escolha da marca, independentemente de da preferência do 'brasileiro' (de cada cidadão) quanto ao candidato a presidência (seja eleitor de Dilma Rousseff, Plínio Sampaio, José Serra ou de Marina Silva), essa opinião é possivelmente aquela que o emissor tem intenção de partilhar.
            Ainda que remeta (por sua intertextualidade) a uma campanha eleitoral, a propaganda será reconhecida como propaganda, já que foca na divulgação da marca, e o receptor, com seu conhecimento de mundo, reconhece tal objetivo e é levado a uma leitura deste tipo de texto (propaganda). Logo, os enunciados são relevantes, pois mesmo fazendo alusão a campanhas eleitorais, falam de um mesmo tema: a marca Bom Bril.